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Vejamos… eu realmente não sei onde começa a minha história, ou provavelmente eu sei, porém não sei se conseguirei escrever (por pura falta de tempo) de tudo que aconteceu nestes últimos sete meses.

Acho que o começo foi quando meu melhor amigo me contou sobre o edital do Ciências Sem Fronteiras em Janeiro. Eu ignorei nas primeiras vezes que ele me falou pois nunca teria a £$ suficiente para ir para outro país e as bolsas de intercâmbio  sempre requerem algum investimento.

Quando ele me explicou, desenhou e me convenceu, e aqui eu digo que me convenci porque ele se inscreveu também então não iria me enfiar num risco desses sozinha, eu finalmente abri minha cabeça e me inscrevi.

Eu entrei nos 45 do segundo tempo. O edital para o Reino Unido tinha sido prorrogado as inscrições até o final de janeiro.

Acabei fazendo o IELTs com apenas 2 semanas de preparação (mentira eu só olhei um dia o formato da prova porque eu tenho amor à minha vida).

Paguei os suados 440 reais e fui na FAAP fazer. Não foi nenhuma surpresa perceber que quase 90% dos inscritos naquele dia faziam parte de concorrentes para o programa. Sempre me orgulhei do meu inglês, mas naquele dia, rolou um friozinho na barriga.

A prova foi OK, bem rápida, mas não suei muito, saí e tomei um Yogoberry ou algum derivado na frente da faculdade.

Ah sim… o meu speaking. Eu estagiava no momento (e estou prestes a encerrar minha bolsa) então saí em cima da hora e fui correndo de carro até o consulado britânico, que fica junto com a sede da minha amada Cultura Inglesa, e local onde apresentei uma das primeiras peças que fiz. Seria lindo, se, somente se, eu não tivesse me perdido, só achado uma vaga relativamente longe da entrada e ter ido quase correndo para a prova. E claro ter engolido  água segundos antes de me chamarem.

Entrei, tentei ligar meu espírito britânico, mas aí eu descobri que tinha esquecido o RG e só levado minha carta de motorista. O que NÃO PODE EM NENHUMA CONDIÇÃO ACONTECER! Bom… nesse momento eu aperto o Fast Forward.

O resultado veio 13 dias corridos depois e esse foi o primeiro dos eternos prazos que viriam a seguir. A saga CSF começava.

Fui então homologada pela minha faculdade ( e para descobrir isso eu liguei para diversas secretárias da FCF-USP, várias professoras, para a Pró Reitoria da CCINT, enfim…).

Mais 15 dias depois, o resultado da homologação pela CAPES deveria sair. Era uma sexta feira, uma black friday. O prazo era 17h, mas os e-mails não chegavam, não chegavam (aqui eu devo mencionar o fantástico grupo do Facebook que foi praticamente uma terapia em grupo, tanto para os perdidos que não sabiam o que fazer, como para os “sem e-mail”, mas farei um post mais específico later http://www.facebook.com/groups/269544463108441/).

Não recebi minha homologação pela CAPES nesse dia. Fiquei um pouco mal, inclusive no dia seguinte seria aniversário do meu avô e eu encontraria 75% da minha família e eu contaria que achava que não tinha passado. ( Usar tempos verbais estranhos pra quê, né?)

Enfim, depois da primeira provação acabei recebendo o aceite!

“Prezado(a) Candidato(a),

Gostaríamos de comunicar a sua aprovação em mais uma fase da seleção de estudantes para intercâmbio no exterior no nível de Graduação Sanduíche no Reino Unido no âmbito do Programa Ciência sem Fronteiras – edital nº 106/2011.

Solicitamos que aguarde um novo contato de nossa equipe a respeito das instruções e prazo para preenchimento de formulário no site do nosso parceiro (UUK).”

Esperar é o que os aproximadamente 500 finalistas da bolsa iriam aprender a fazer… e MUITO BEM!

Depois disso foi correr atrás da tradução do meu Histórico escolar ( e veja bem, rendeu muita discussão se precisava ser ou não juramentado, quem deveria assinar, se eu poderia traduzir ou se eu traduzia e colocava o nome de alguém, etc, etc, etc.) – No fim eu traduzi, me baseando na tradução juramentada de um menino da minha sala da Farmácia e de uma veterana que estavam tentando o edital para os USA (onde é obrigatório ser juramentado). Pedi que a professora responsável pela CCINT assinasse e a secretária dela colocou os dados como tradutora.

[mais espera]

Manda documento daqui, manda documento de lá, espera mais um pouco, começa a surtar no grupo do facebook, as pessoas começam a ficar arredias por lá, um pouco agressivas, passam-se prazos… os outros editais recebem respostas de quem foi aceito, são escolhidos por universidades…a CAPES não informa direito…

Nó finalmente temos que nos inscrever no site do UCAS ( http://www.ucas.ac.uk/) e escolher 3 universidades! Tá… e como escolher as 3 universidades?? E o Personal Statement???? Oh Lord…

Criei tabelas pesquisando rankings das universidades britânicas e onde elas se encontravam no curso de farmácia. Mas o meu critério final foi:

1) Que curso vou fazer? Veja bem… não sou a maior fã de farmácia-bioquímica do mundo, e descobri isso um pouco tarde demais… Foi ai que eu vi… Não… não pode ser… o que raios eu vou fazer estudando isso? Ah… mas é minha chance de fazer algo que eu posso gostar… E no Brasil não tem nada assim…

Escolhi cursar Ciências Forenses. 

O comentário do meu pai foi o que me fez ter certeza.

“hahaha Você vai estudar Ciências Forenses na terra do Sherlock Holmes?”

Meus olhos brilharam ainda mais.

2) A universidade TEM que ter grupo de teatro!

3)Deve estar bem no ranking.

E por aí vai… foi bem difícil escolher! Cogitei e li o significado dos brasões e verifiquei a cor das universidades, sem contar que eu precisava saber se gostava ou não do site.

In the end, sobraram 4 das quais eu escolhi quase aleatoriamente 3.

Keele University

Bristol – West of England

De Montfort

Daí para frente foi só esperar… mais e mais e mais….

No dia 1o de junho nossas inscrições foram encaminhadas para as universidades! E no mesmo dia recebi e-mail da linda da Kate (ou Elizabeth ou os dois) da universidade de Keele. Trocamos diversos e-mails sobre várias dúvidas minhas incluindo a temperatura de lá, as roupas que devo levar, enfim… nos tornamos quase best friends! Começou a surgir uma vontade gigantesca de ir para lá!

Nesse momento eu conheci a Carol! Que em breve se tornaria minha amiga de anos! Isso porque a Kate estava em SP e mandou um e-mail as nove da noite na sexta feira perguntando se eu queria me encontrar com ela para conversar sobre Keele! Dahora né? Pena que eu hibernei nessa sexta feira e só acordei no sábado a tarde/noite e não vi o e-mail a tempo. ¬¬

Bristol também entrou em contato comigo e pediu para eu me cadastrar no site deles. Um processo meio demorado e que resultou em upar arquivos errados, como sempre.

[Esperando mais um pouco…]

Recebemos e-mail do nosso querido truta Rafael da CAPES. Acho que ele foi tão assombrado pelos candidatos que deve ter que tomar muitos fármacos para não atender o telefone de madrugada achando que alguém está ligando para perguntar se a conta pode ser universitária ou qualquer coisa do tipo.

Tínhamos que abrir uma conta que não poderia ser poupança e mandar para a CAPES.

Começamos uma contagem regressiva no grupo do Facebook. A ansiedade lá era tão palpável que os atritos estavam quase constantes, mas todos sabiam que estavam no mesmo barco.

Acabei descobrindo que a universidade de Bristol não tinha me aceitado. Era a minha segunda opção… rolou uma depressãozinha… e se nenhuma me aceitasse??? Maldita faculdade que liberou o resultado sem permissão!

Começamos a esperar pela contagem regressiva para o dia 30 de junho! Os resultados iriam sair entre 1 e 6 de julho!

Chegou dia 1…. NADA

Chegou dia 2…. NADA!

Chegou dia 3… NADA!!!!

Chegou dia 4…. ARE YOU F&(*&(@ KIDDING ME?

E finalmente chegou o dia 5 de julho às 04h53…

Dear Mayara Munhoz De Assis Ramos                               

We are delighted to attach your offer for study in the UK on the Science Without Borders scholarship scheme.

Please read the attached letter and respond to us within 48hours

With best wishes

UK SWB